Ao longo dos dias 17, 18 e 19 de novembro, a Escola Municipal Dr. Aparício do Couto Moreira se tornou um grande espaço de celebração da cultura negra. Com o tema “Afrobrasilidades: orgulho, história e resistência”, a unidade promoveu a culminância da Feira Cultural AfroBrasilidades, reunindo estudantes, professores, famílias, convidados e a comunidade do entorno em uma ampla programação artística e pedagógica, em alusão ao Dia Nacional da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro.
Ao som de músicas afro e em meio a cores, tecidos, adereços e penteados que remetiam à ancestralidade africana, o espaço foi organizado com tendas e ambientações temáticas. Os stands trouxeram referências à culinária afro-brasileira, às músicas e danças de matriz africana, à religiosidade, à literatura e às tradições dos povos afrodescendentes. Mesas com utensílios e pratos típicos, objetos de uso cotidiano e painéis expositivos ajudaram a aproximar os visitantes dos saberes e fazeres da cultura negra.
A abertura da programação contou com um cortejo afro, saindo da Feirinha do BN em direção à escola, envolvendo estudantes e educadores em alegorias, coreografias e percussão. Em seguida, o Grupo de Capoeira “Voo de Liberdade” realizou roda aberta ao público, reforçando a capoeira como expressão de resistência e identidade.
Ainda no primeiro dia, o projeto itinerante Cine Estrelas, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura, levou ao público a exibição do documentário “Como é ser negro no Brasil?”. A sessão aconteceu em frente à escola e foi mediada pelo diretor Matheus Cerqueira, que dialogou com os estudantes sobre racismo, identidade e protagonismo da população negra.
No segundo dia de atividades, em períodos matutino e vespertino, turmas do 9º ano apresentaram esquetes teatrais sobre direitos das crianças e adolescentes, abordando temas como convivência familiar, liberdade, respeito, dignidade, vida, saúde, educação, esporte, cultura e lazer. Os grupos utilizaram a linguagem cênica para traduzir conteúdos trabalhados em sala de aula, aproximando legislação, cidadania e realidade dos estudantes.
Durante a visita guiada aos espaços expositivos, alunos de outras escolas também passaram pelos stands, ampliando o alcance pedagógico da Feira. A programação incluiu ainda o lançamento do livro “Conhecendo Itambé”, do escritor Rielson Machado, fortalecendo o vínculo entre história local, identidade e formação de leitores.
À noite, o público acompanhou o espetáculo teatral “O Destino de Maria”, apresentado pelo Grupo Artes Cênicas, além do Concurso Identidade Negra 2025 e do desfile afro “Orixás”, que evidenciaram trajes, símbolos e estéticas da cultura afro-brasileira.
De acordo com o diretor da escola, Matheus Cerqueira, a Feira foi concebida como um projeto multidisciplinar, voltado à formação integral dos estudantes e à promoção da educação para as relações étnico-raciais. “Foi de suma importância a participação dos alunos em uma proposta pedagógica dessa natureza, para que as questões relacionadas à consciência negra saiam do âmbito teórico e se tornem ações antirracistas. A liberdade de um povo no mundo contemporâneo se dá através do conhecimento e da educação, e é isso que estamos fazendo no Aparício”, destacou o gestor.
Matheus ressalta que iniciativas como a Feira AfroBrasilidades contribuem para resgatar e fortalecer a identidade do povo negro, tornando visíveis suas histórias de luta e superação. “O legado do projeto é todos reconhecerem a necessidade de conhecer e respeitar a cultura dos afrodescendentes para entender melhor a sociedade em que se vive. A repercussão nas redes sociais e os comentários que recebemos mostram o alcance dessa ação na conscientização dos nossos alunos e na valorização deles como protagonistas de sua própria história”, avaliou.
A programação seguiu até o dia 19 de novembro, consolidando a Feira Cultural AfroBrasilidades como um momento ímpar de construção de saberes, integração entre escola e comunidade e valorização da diversidade que compõe a identidade brasileira.
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